Nathan Fogaça entra, decide e o Mirassol carimba virada histórica em Assunção rumo às oitavas
CONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos | 5ª Rodada (Grupo G) | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio Tigo La Huerta, Assunção (Paraguai)

CONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos | 5ª Rodada (Grupo G) | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio Tigo La Huerta, Assunção (Paraguai)
Em uma noite atípica de Libertadores — disputada em Assunção, no Paraguai, por causa da instabilidade política na Bolívia que forçou o Always Ready a sair de El Alto —, o Mirassol escreveu mais um capítulo da sua campanha histórica e venceu o time boliviano por 2 a 1, em virada construída no segundo tempo com gol decisivo do jovem Nathan Fogaça, recém-entrado no jogo. Shaylon abriu o placar no primeiro tempo, Jesús Maraude empatou aos 30 do segundo, mas a aposta de Rafael Guanaes no banco resolveu a partida sete minutos depois e silenciou a torcida do Always Ready que acompanhava do exterior.
Com a vitória, o Leão Caipira chegou aos 12 pontos no Grupo G, manteve a liderança isolada e está praticamente classificado para as oitavas de final da Libertadores, em uma campanha que beira o inédito para um clube em sua primeira participação na competição. O Always Ready, lanterna do grupo com três pontos, vê suas chances de classificação ficarem dramaticamente reduzidas.
O Jogo
O duelo já chegou ao Tigo La Huerta com contornos atípicos. A crise política e socioeconômica na Bolívia obrigou a CONMEBOL a transferir o jogo para Assunção, tirando do Always Ready o seu maior trunfo histórico em competições continentais — a altitude de 4.150 metros do Estádio Municipal de El Alto. Sem o ar rarefeito a favor, o time boliviano teve de enfrentar um Mirassol fisicamente equilibrado e taticamente mais organizado. Rafael Guanaes optou por uma escalação próxima da titular, com Shaylon como articulador entre as linhas e a velocidade de Edson Carioca pelas pontas. Do lado boliviano, Marcelo Straccia montou um 4-3-3 reforçado pelas presenças de Dario Torrico e Joel Amoroso, apostando na intensidade alta.
O início foi de estudo, com os dois times tentando o controle do meio-campo sem conseguir manter a posse de bola. Aos 11 minutos, no entanto, o Mirassol abriu o placar. Shaylon recebeu dentro da área e, com toque preciso de pé esquerdo do meio da área, deslocou o goleiro Baroja e calou a torcida boliviana presente. A partir daí, o jogo entrou em ritmo morno, com o Mirassol administrando a vantagem e o Always Ready com dificuldade para criar chances reais. Ainda no primeiro tempo, Jesús Maraude até chegou a balançar as redes, mas o gol foi anulado pelo VAR por posição irregular de Darío Torrico no início da jogada. Ambas as equipes foram para o intervalo com poucas finalizações no alvo, mas o Mirassol em vantagem no marcador.
A etapa final começou com o Always Ready buscando o empate com mais intensidade, agora pressionando mais alto e explorando os flancos. Aos 30 minutos do segundo tempo (75' da partida), Jesús Maraude finalmente furou a defesa paulista e marcou o gol de empate, em jogada construída pelo meio que terminou com finalização cruzada — devolvendo a esperança ao time boliviano. A reação durou pouco. Rafael Guanaes acertou na substituição: Nathan Fogaça entrou no lugar de Edson Carioca minutos antes e, aos 37 (82' do jogo), aproveitou jogada de bola parada para finalizar de pé esquerdo de muito perto e fazer 2 a 1. Nos minutos finais, o Always Ready ainda tentou pressionar, com Felipe Pasadore arriscando de fora da área, mas a defesa do Mirassol — bem encaixada — segurou o resultado e selou uma vitória que vale ouro na campanha continental.
Os Gols
| Minuto | Jogador | Time | Como foi |
| 11' | Shaylon | Mirassol | Recebeu dentro da área e bateu de pé esquerdo do meio da área, deslocando Baroja |
| 75' | Jesús Maraude | Always Ready | Aproveitou jogada construída pelo meio e finalizou cruzado para empatar |
| 82' | Nathan Fogaça | Mirassol | Recém-entrado, aproveitou bola parada e bateu de pé esquerdo de muito perto |
As Escalações
Always Ready: Baroja; Carlitos Rodríguez, Richet Gómez, Rambal e Marcelo Suárez; Héctor Cuéllar, Darío Torrico, Saucedo e Maraude; Amoroso e Triverio. (Substituições: Pablo Lima entrou no lugar de Torrico; Juan Godoy no lugar de Nava; Felipe Pasadore entrou ao longo do segundo tempo)
Técnico: Marcelo Straccia
Mirassol: Alex Muralha; Daniel Borges, Lucas Oliveira, Willian Machado e Victor Luís; Denilson, Aldo Filho e Shaylon; Galeano (Igor Cariús), Edson Carioca e Everton Galdino. (Substituições: Nathan Fogaça entrou no lugar de Edson Carioca; Chico no lugar de Denilson; Carlos Eduardo ao longo da partida)
Técnico: Rafael Guanaes
Análise: O Que o Resultado Significa Para Cada Lado
Mirassol — Um pé nas oitavas e a confirmação de uma campanha histórica
A vitória em Assunção é mais um marco na temporada continental do Mirassol. Em sua primeira Libertadores na história, o clube paulista chega à última rodada da fase de grupos como líder isolado do Grupo G, com 12 pontos, e dependendo apenas de si para confirmar a classificação inédita para as oitavas de final. Mais do que isso: a vitória mostra que o time de Rafael Guanaes consegue performar mesmo em condições adversas, longe do conforto do Maião, contra um adversário que costuma ser pedra no sapato de qualquer brasileiro.
O destaque tático foi a capacidade de leitura do treinador. Quando o Always Ready conseguiu empatar e acumular momentum, Guanaes mexeu rápido no banco. A entrada de Nathan Fogaça — um camisa que vinha sendo pouco aproveitado mas que sabe se posicionar bem em jogadas paradas — virou a chave do jogo. É o tipo de decisão que separa campanhas medianas de campanhas históricas. Shaylon, novamente, confirmou seu papel de jogador-chave: gol e atuação inteligente. A defesa, com Lucas Oliveira e Willian Machado, mostrou solidez nos momentos de pressão final.
O grande desafio agora é gerir o calendário. O Mirassol enfrenta o Fluminense fora de casa pelo Brasileirão no sábado (23/05) e ainda terá a última rodada da Libertadores. O elenco não é amplo e o desgaste físico de uma viagem para Assunção e altitude virtual cobra preço. Mas a margem matemática é confortável.
Always Ready — Sem El Alto, sem vitória, sem futuro na competição
Para o Always Ready, a derrota é um golpe duríssimo, e a pergunta que ficará é inevitável: o resultado teria sido o mesmo em El Alto? A altitude sempre foi a grande arma do clube boliviano em competições continentais, como evidenciado pelo retrospecto histórico (vitória de 4 a 0 sobre o Lanús ainda nesta fase de grupos foi o exemplo mais claro). Sem o ar rarefeito de 4.150 metros, a equipe não conseguiu impor a intensidade que costuma ser sua marca registrada e ficou exposta nas transições.
Marcelo Straccia tem méritos pela proposta — pressionar alto, buscar o gol fora de casa em situação atípica — mas a falta de pontaria foi cruel. O gol anulado de Maraude no primeiro tempo poderia ter mudado completamente a dinâmica do jogo. Maraude, aliás, foi o melhor em campo pelo lado boliviano: marcou o gol de empate, criou jogadas e mostrou que pode ser referência para o futuro do clube. O problema é que, com três pontos em cinco jogos, a chance matemática de classificação para as oitavas é praticamente nula. Resta brigar por uma vaga na repescagem da Sul-Americana na última rodada, com mais um jogo em condições atípicas no horizonte.
A crise política na Bolívia também é um fator externo que dificilmente pode ser ignorado: jogar "em casa" no Paraguai é uma anomalia logística que afeta preparação, ambientação e o conjunto emocional do elenco. Para um clube que vive de jogar em altitude, perder essa vantagem é o equivalente, no futebol europeu, a jogar uma final em campo neutro contra um adversário maior.
Ficha Técnica
| Campo | Informação |
| Competição | CONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos (Grupo G) |
| Data | 19 de maio de 2026 |
| Local | Estádio Tigo La Huerta, Assunção (Paraguai) — jogo transferido de El Alto (BOL) por crise política |
| Árbitro | José Burgos (URU) |
| Assistentes | Pablo Llarena (URU) e Hector Bergalo (URU) |
| VAR | Andrés Cunha (URU) |
| Público | Não divulgado oficialmente |
| Gols | Shaylon (Mirassol) 11'; Jesús Maraude (Always Ready) 75'; Nathan Fogaça (Mirassol) 82' |
| Cartões Amarelos | Igor Cariús (Mirassol); Richet Gómez, Carlitos Rodríguez (Always Ready) — entre outros |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Transmissão | Paramount+ |
Classificação do Grupo G (após 5 rodadas)
| Pos. | Time | Pts | J | V | E | D |
| 1º | Mirassol (BRA) | 12 | 5 | 4 | 0 | 1 |
| 2º | LDU (EQU) | 6–9 | 5 | — | — | — |
| 3º | Lanús (ARG) | 6–9 | 5 | — | — | — |
| 4º | Always Ready (BOL) | 3 | 5 | 1 | 0 | 4 |
*Posições e pontuações finais de LDU e Lanús dependem do resultado da partida entre as duas equipes, ainda a ser disputada pela rodada. O Mirassol está virtualmente classificado, restando apenas confirmar a vaga na rodada final. O Always Ready está praticamente eliminado.*
Considerações Finais
A noite em Assunção encerra uma das tarefas mais delicadas do Mirassol nesta Libertadores. Vencer fora de casa, contra um adversário que historicamente faz a vida dos brasileiros difícil em competições sul-americanas, vale muito mais do que três pontos: vale a consolidação de uma identidade. O Leão Caipira mostrou que tem repertório tático, profundidade de elenco (a entrada de Nathan Fogaça é prova) e maturidade competitiva para sustentar a posição de líder. É a confirmação de que a campanha de 2025 no Brasileirão, que rendeu a vaga inédita, não foi um acaso — havia substância por trás.
O contraste com o momento da equipe na Série A do Brasileirão é gritante, no entanto. Enquanto a Libertadores tem sido a vitrine da temporada, no campeonato nacional o time luta para escapar do rebaixamento. Rafael Guanaes terá de gerir, nas próximas semanas, dois campeonatos com objetivos opostos: na Libertadores, o sonho de uma campanha histórica; no Brasileirão, a missão de não cair. A reta final exigirá rotação inteligente e nervos firmes.
Já o Always Ready se despede praticamente de qualquer sonho continental nesta edição. O caminho até aqui foi marcado por altos (a goleada em El Alto sobre o Lanús) e baixos (a vulnerabilidade fora da altitude), e a derrota em Assunção apenas confirma uma fragilidade estrutural: sem El Alto, o time não tem as ferramentas técnicas para competir em pé de igualdade com adversários sul-americanos de elite. A última rodada terá ar de despedida da competição.
Pelo lado do Mirassol, o próximo desafio é Fluminense fora de casa, no Maracanã, pelo Brasileirão. Será mais um teste de gestão emocional para um elenco que finalmente entendeu o que é jogar grande na América do Sul.
Análise baseada na 5ª rodada da CONMEBOL Libertadores 2026.
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