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John Kennedy decide, Fluminense vence o Bolívar, mas não depende mais de si para se classificar

CONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos | 5ª Rodada | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

20 de maio de 2026 às 02:15

John Kennedy decide, Fluminense vence o Bolívar, mas não depende mais de si para se classificar
Crédito: Lucas Merçon / FFC / Jogada10

CONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos | 5ª Rodada | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)

Era ganhar ou dizer adeus. Pressionado, lanterna do Grupo C e sem ter vencido uma única partida na competição continental até então, o Fluminense entrou em campo no Maracanã carregando o peso de uma campanha que beirava o constrangimento e saiu de campo com uma vitória sofrida por 2 a 1 sobre o Bolívar que, ao mesmo tempo, alivia e mantém tudo em aberto. Lucho Acosta abriu o caminho logo aos cinco minutos, mas o tropeço defensivo permitiu o empate de Melgar ainda na primeira etapa, deixando o Tricolor com a missão de furar uma defesa fechada na altitude emocional do Maracanã lotado. Coube a John Kennedy, no segundo tempo, transformar a pressão constante em alívio coletivo e devolver ao clube carioca o direito de sonhar com as oitavas.

Com o resultado, Fluminense e Bolívar terminam a rodada empatados em cinco pontos no Grupo C, mas os bolivianos mantêm vantagem no saldo de gols e no confronto direto — venceram o jogo de ida em La Paz por 2 a 0. O Tricolor segue na lanterna por critério de desempate e dependerá de uma combinação de resultados na última rodada para se classificar.

O Jogo

Os dois times chegaram ao Maracanã com pressões opostas. O Fluminense, comandado interinamente pelo auxiliar Maxi Cuberas — já que Luis Zubeldía cumpria suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo —, tinha a obrigação de vencer e, de preferência, por uma boa margem para não depender excessivamente de outros resultados. O Bolívar, sob o comando de Vladimir Soria, vinha em situação mais confortável, podendo até empatar para encaminhar a classificação. Sem Martinelli, lesionado, o Tricolor entrou em campo com a base que vinha rendendo no Brasileirão.

A partida começou em ritmo frenético. Logo aos cinco minutos, após pressão alta e erro de saída de bola da defesa boliviana, Nonato achou Canobbio, que finalizou para defesa parcial de Lampe. No rebote, Lucho Acosta apareceu oportunista para empurrar para o fundo das redes e fazer explodir o Maracanã. O Fluminense seguiu dominando, criou nova chance com John Kennedy aos onze minutos após bom cruzamento de Guga, mas o atacante mandou para fora. O domínio territorial, porém, escondia uma fragilidade defensiva que cobraria seu preço. Aos 24 minutos, Carlos Melgar aproveitou um lançamento mal cortado pela zaga tricolor, dominou na entrada da área e bateu firme no canto direito de Fábio, calando o Maracanã e silenciando momentaneamente a euforia inicial. Antes do intervalo, Savarino ainda perdeu uma chance clara após assistência de cabeça de Guga: bateu cruzado de primeira e a bola passou raspando a trave direita de Lampe, lance que irritou parte da torcida nas redes sociais.

No segundo tempo, o Fluminense voltou disposto a empilhar a bola na área do Bolívar. Foi exatamente isso que aconteceu. Os bolivianos recuaram demais e o goleiro Lampe virou a figura mais ocupada do gramado. Coube ao banco mudar o jogo. Aos 25 minutos da etapa final, após cruzamento de Yeferson Soteldo pela esquerda, a bola desviou em um defensor, encontrou John Kennedy livre dentro da área e o camisa 9 bateu de canhota para fazer o gol da vitória. Antes disso, o Fluminense ainda chegou a balançar as redes com Castillo, mas o tento foi corretamente anulado por posição irregular do próprio John Kennedy no início da jogada. Aos 43 minutos, Samuel Xavier quase ampliou em chute de primeira, mas Lampe espalmou para linha de fundo. Nos minutos finais, o Bolívar tentou a reação por meio de bolas longas e arremates de fora, mas Fábio, pouco exigido na etapa, segurou o resultado e garantiu uma vitória que vale, sobretudo, oxigênio.

Os Gols

MinutoJogadorTimeComo foi
5'Lucho AcostaFluminenseApós erro de saída do Bolívar, Canobbio finalizou e Lampe espalmou; no rebote, Acosta empurrou para as redes
24'Carlos MelgarBolívarAproveitou lançamento na entrada da área tricolor e bateu firme no canto direito de Fábio
70'John KennedyFluminenseSoteldo cruzou pela esquerda, a bola desviou na defesa e sobrou para o camisa 9 bater de canhota livre na área

As Escalações

Fluminense: Fábio; Guga, Ignácio, Freytes e Guilherme Arana; Hércules, Nonato e Lucho Acosta; Canobbio, Savarino e John Kennedy. *(Substituições: Soteldo entrou no lugar de Canobbio; Ganso no lugar de Savarino; Castillo no lugar de Nonato; Samuel Xavier no lugar de Guga; Cano no lugar de John Kennedy)*

Técnico: Maxi Cuberas (auxiliar, no comando por suspensão de Luis Zubeldía)

Bolívar: Carlos Lampe; Luis Fernando Paz, Xavier Arreaga, Echeverría e José Sagredo; Robson Matheus, Leonel Justiniano, Saavedra e Carlos Melgar; Patricio Rodríguez e Dorny Romero. *(Substituições: Paz entrou no lugar de Sagredo; Chavez no lugar de Pato Rodríguez; Vaca no lugar de Melgar)*

Técnico: Vladimir Soria

Análise: O Que o Resultado Significa Para Cada Lado

Fluminense — Vitória que alivia mas não resolve

A primeira vitória do Tricolor na Libertadores chega tarde, mas chega. Em uma campanha até então melancólica — dois empates e duas derrotas nas quatro rodadas anteriores —, o time finalmente encontrou no Maracanã a postura que sua torcida vinha cobrando: pressão alta, intensidade, presença ofensiva e capacidade de criar volume de chances. O problema é que a vitória não foi pelo placar dilatado que o time precisava. Vencer por apenas um gol de diferença significa que o Fluminense permanece refém de combinações alheias para se classificar.

Há sinais positivos e sinais preocupantes. Do lado positivo, o protagonismo de Lucho Acosta voltou a aparecer, John Kennedy decidiu em um momento delicado e mostra que pode ser uma alternativa real ao Cano, e o impacto de Soteldo no banco voltou a se mostrar relevante — foi a entrada do venezuelano que mudou a dinâmica ofensiva. Do lado preocupante, a fragilidade defensiva em jogadas simples segue sendo um problema crônico: o gol de Melgar nasceu de um lançamento direto que a zaga não cortou. Com Zubeldía de volta ao banco na rodada final, o desafio será afinar o equilíbrio entre ousadia e segurança em um jogo que vale temporada.

Para a próxima rodada, o cenário é claro: o Fluminense precisa vencer o La Guaira em casa e torcer para o Independiente Rivadavia, já classificado, derrotar o Bolívar em La Paz. É uma equação plausível, mas longe de confortável.

Bolívar — Derrota que ainda mantém a vaga nas mãos

Apesar do tropeço no Maracanã, o Bolívar sai do Rio com o controle do seu destino na chave. O time boliviano fez exatamente o que precisava fazer durante boa parte da partida — buscar o empate fora de casa, esperar o ímpeto inicial brasileiro passar e tentar segurar o resultado. Conseguiu metade do plano: o gol de Melgar, em uma das poucas chegadas claras, mostrou eficiência cirúrgica. O problema foi o segundo tempo, no qual a equipe se entregou demais à pressão tricolor e perdeu intensidade no meio-campo.

Vladimir Soria deve sair do Rio com sentimentos mistos. Por um lado, sua equipe segue com cinco pontos e mantém a vantagem no confronto direto e no saldo de gols sobre o Fluminense. Por outro, o último jogo será contra o Independiente Rivadavia em casa — e os argentinos, já classificados, podem entrar em campo com força máxima ou poupando jogadores, o que torna a previsão complicada. A vantagem é que Hernando Siles, em La Paz, com seus 3.600 metros de altitude, costuma ser um aliado decisivo para os bolivianos. Um empate basta para carimbar a vaga.

Ficha Técnica

CampoInformação
CompetiçãoCONMEBOL Libertadores – Fase de Grupos (Grupo C)
Data19 de maio de 2026
LocalEstádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
ÁrbitroAndrés Matonte (URU)
AssistentesAndrés Nievas (URU) e Mathias Muniz (URU)
VARLeodan González (URU)
PúblicoNão divulgado oficialmente até o fechamento
GolsLucho Acosta (Fluminense) 5'; Carlos Melgar (Bolívar) 24'; John Kennedy (Fluminense) 70'
Cartões AmarelosLucho Acosta, PH Ganso (Fluminense); Dorny Romero (Bolívar)
Cartões VermelhosNenhum
TransmissãoESPN e Disney+

Classificação do Grupo C (após 5 rodadas)

Pos.TimePtsJVED
Independiente Rivadavia (ARG)104310
Bolívar (BOL)55122
Fluminense (BRA)55122
Deportivo La Guaira (VEN)34031

*Classificação aproximada para fins editoriais — Fluminense e Bolívar estão empatados em pontos, mas o time boliviano leva vantagem no confronto direto (venceu por 2 a 0 em La Paz) e no saldo de gols geral. Em caso de novo empate no critério de saldo após a última rodada, a Conmebol fará sorteio.*

Considerações Finais

O 2 a 1 no Maracanã é, antes de tudo, um respiro. O Fluminense pareceu, durante boa parte do primeiro tempo, ter conseguido reencontrar a identidade ofensiva que vinha faltando na competição continental. O ímpeto inicial, o gol madrugador e a pressão no campo de ataque mostraram uma equipe disposta a brigar pelo que ainda é matematicamente possível. Restam, porém, dúvidas legítimas: por que o time desliga após sair na frente? Por que continua frágil em jogadas simples de transição? São perguntas que o retorno de Zubeldía ao banco precisará começar a responder rapidamente.

Pelo lado boliviano, o Bolívar sai do Rio sem o resultado ideal, mas com o conforto de saber que ainda decide tudo em casa. A altitude de La Paz é um trunfo histórico e o Independiente Rivadavia, já classificado, pode optar por uma postura conservadora. O empate, naquele cenário, basta para o time avançar pela primeira vez em anos a uma fase decisiva da Libertadores.

Para o Fluminense, o próximo compromisso é Mirassol fora de casa pelo Brasileirão, no sábado (23/05), antes do duelo decisivo contra o La Guaira pela última rodada da fase de grupos. A semana, portanto, é de gestão emocional e física: nenhum dos dois jogos pode ser tratado como secundário. A pressão segue alta, mas pelo menos o caminho continua aberto.

No fim, a noite do Maracanã serviu para lembrar uma das máximas mais antigas do futebol: às vezes, a vitória mais importante não é a mais bonita, mas aquela que mantém você vivo. O Fluminense saiu vivo. Resta saber por quanto tempo.

Análise baseada na 5ª rodada da CONMEBOL Libertadores 2026.

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