Pascini Empata no Fim, Éverson Vira Herói e o Galo Sobrevive ao Drama do Castelão nos Pênaltis
Copa do Brasil 2026 – 5ª Fase | Jogo da Volta | 13 de maio de 2026 | Arena Castelão, Fortaleza (CE)

Copa do Brasil 2026 – 5ª Fase | Jogo da Volta | 13 de maio de 2026 | Arena Castelão, Fortaleza (CE)
Poucos jogos na Copa do Brasil 2026 vão gerar tanto material de memória quanto este. O Ceará venceu o Atlético-MG por 2 a 1 no tempo normal, chegou a forçar os pênaltis com o placar agregado empatado em 3 a 3 — e viu o Galo avançar pela frieza e pela genialidade do goleiro Éverson, que defendeu dois cobranças na decisão e ainda converteu a sua. O jovem Kauã Pascini, saído do banco, foi o responsável por empatar a partida aos 90 minutos e evitar a eliminação atleticana no tempo regulamentar, enquanto Alex Silva e Everson — por ironia, o próprio goleiro do Atlético — balançaram as redes pelo lado cearense. Uma noite inesquecível no Castelão que encerrou com o Atlético-MG nas oitavas de final e o Ceará de coração partido.
O cenário antes da partida era de equilíbrio total: o Atlético havia vencido o primeiro jogo por 2 a 1, mas o Vozão precisava apenas de uma vitória simples para avançar. E foi exatamente isso que o time cearense quase conseguiu.
O Jogo
A partida começou com o Ceará muito organizado e aproveitando bem o empurrão da sua torcida na Arena Castelão. Logo aos 8 minutos, Alex Silva converteu uma penalidade máxima e colocou o Vozão na frente do placar — e no agregado, igualando em 2 a 2. Aos 23 minutos, o cenário ficou ainda mais dramático para o Atlético: Éverson, goleiro atleticano, tentou defender um cruzamento e acabou mandando contra a própria rede. 2 a 0 para o Ceará no placar da noite, 3 a 2 no agregado — o Galo estava sendo eliminado.
O técnico Domínguez tentou remodelar o Atlético, promovendo substituições e mudando a postura do time no segundo tempo. O jogo ficou mais aberto, com o Atlético pressionando alto e o Ceará defendendo com organização. Os minutos passavam, o Castelão vibrava, e a eliminação atleticana parecia inevitável. Até que, aos 90 minutos, Kauã Pascini — joia da base do Atlético, que havia entrado no decorrer da etapa final — apareceu na área com oportunidade e não perdoou: 2 a 1, e o placar agregado chegou a 3 a 3. Decisão nos pênaltis.
Na disputa decisiva, o roteiro foi escrito por Éverson. O goleiro atleticano, que havia marcado um gol contra no tempo normal, se redimiu de forma espetacular: defendeu as cobranças de Fernando e Rafael Ramos, e ainda converteu a sua própria batida. Cassierra, Cuello e Lyanco também marcaram pelo Galo. Pelo Ceará, apenas Juan Alano e Éder converteram. Atlético-MG 4, Ceará 2 nos pênaltis — classificação conquistada no limite do impossível.
Os Gols
| Minuto | Jogador | Time | Como foi |
| 8' | Alex Silva | Ceará | Cobrança de pênalti bem batida, sem chance para Éverson |
| 23' | Éverson (CON) | Ceará | Goleiro atleticano tenta interceptar cruzamento e manda contra a própria rede |
| 90' | Kauã Pascini | Atlético-MG | Joia da base aparece na área nos acréscimos e empata para o Galo, levando a decisão aos pênaltis |
Pênaltis:
| Cobrador | Time | Resultado |
| Alex Silva | Ceará | ✗ Defendido |
| Cassierra | Atlético-MG | ✓ Convertido |
| Juan Alano | Ceará | ✓ Convertido |
| Cuello | Atlético-MG | ✓ Convertido |
| Éder | Ceará | ✓ Convertido |
| Lyanco | Atlético-MG | ✓ Convertido |
| Fernando | Ceará | ✗ Defendido |
| Éverson | Atlético-MG | ✓ Convertido |
| Rafael Ramos | Ceará | ✗ Defendido |
Atlético-MG 4 × 2 Ceará nos pênaltis
As Escalações
Ceará: Bruno Ferreira; Alex Silva (Rafael Ramos, 2°T), Éder, Luizão e Júlio César; Fernando, Diego (Matheus Araújo, 2°T), João Gabriel e Melk (Juan Alano, 2°T); Gustavo Prado (Enzo Lodovico, 2°T) e Fernandinho (Giulio, 2°T).
Técnico: Mozart Santos
Atlético-MG: Éverson; Ivan Román, Lyanco, Vitor Hugo e Renan Lodi; Alan Franco, Tomás Pérez e Cissé; Alan Minda (Cuello, 2°T), Reinier (Kauã Pascini, 2°T) e Cassierra.
Técnico: Eduardo Domínguez
Análise: O Que o Resultado Significa Para Cada Lado
Atlético-MG — Éverson Redimido e o Galo que Não Morre
Essa classificação vai para o livro de histórias do Atlético-MG. Ser eliminado no tempo normal — como o resultado de 2 a 0 indicava — e encontrar um gol no último minuto para forçar pênaltis é, por si só, uma virada de roteiro extraordinária. Mas o que fez a noite ser completamente épica foi a atuação de Éverson: marcar um gol contra, vivenciar o constrangimento público de contribuir para a quase eliminação do próprio time, e depois se redimir com duas defesas decisivas e uma conversão na cobrança — é o tipo de arco narrativo que o futebol cria raramente.
Kauã Pascini, por sua vez, confirma que o Atlético tem um futuro promissor na base. O jovem que entrou do banco e marcou o gol mais importante da noite demonstra sangue-frio e presença de área acima da média para a sua idade. Domínguez encontrou no menino o recurso que faltava nos titulares.
Nas oitavas da Copa do Brasil, o Atlético chega com moral altíssima mas com a consciência de que jogar no limite não é sustentável. A equipe precisará de mais consistência nos 90 minutos para ir longe na competição.
Ceará — A Dor de uma Eliminação Que Passou pela Mão
O Ceará jogou uma partida excelente. Vencer por 2 a 0 um time do calibre do Atlético-MG, na maior parte do jogo, é um feito considerável. A organização defensiva, o aproveitamento do pênalti por Alex Silva e o apoio da torcida na Arena Castelão foram suficientes para 89 minutos de uma Copa do Brasil digna de final. O problema foi o 90º.
A entrada de Kauã Pascini mudou o jogo de um jeito que poucos esperavam, e o gol que veio dos acréscimos tirou o chão do Vozão emocional e tecnicamente. Nos pênaltis, a frieza de Éverson fez a diferença — mas o Ceará também pecou nas cobranças, desperdiçando três delas. A eliminação é dolorosa não pelo desempenho, mas pela sensação de que a classificação estava nas mãos do time e escorregou no último instante.
O Ceará segue sua temporada sem a Copa do Brasil, mas com uma exibição que mostra a evolução do projeto. O próximo grande objetivo da temporada é o Campeonato Brasileiro, onde o time precisa encontrar consistência de resultados.
Ficha Técnica
| Campo | Informação |
| Competição | Copa do Brasil 2026 – 5ª Fase (Jogo da Volta) |
| Data | 13 de maio de 2026 |
| Local | Arena Castelão, Fortaleza (CE) |
| Árbitro | Matheus Candancan (SP) |
| Assistentes | Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Anderson José de Moraes Coelho (SP) |
| VAR | Wagner Reway (SC) |
| Público | A confirmar |
| Gols | Alex Silva (CEA) 8', Éverson con (CEA) 23', Kauã Pascini (ATL) 90' |
| Pênaltis | ATL 4 × 2 CEA (Éverson defendeu Fernando e Rafael Ramos; Cassierra, Cuello, Lyanco e Éverson marcaram) |
| Cartões Amarelos | A confirmar |
| Cartões Vermelhos | Mamady Cissé 4' |
| Transmissão | Amazon Prime Video |
Considerações Finais
A Copa do Brasil costuma ser palco de dramas, mas raramente com tantas camadas num único jogo. Um goleiro marca gol contra, um garoto da base empata nos acréscimos, o mesmo goleiro vira herói nos pênaltis — é impossível roteirizar algo assim. A noite no Castelão vai ser lembrada como uma das mais emocionantes da Copa do Brasil 2026.
O Atlético-MG de Domínguez sobrevive e avança, mas com um recado claro: a equipe ainda não está na sua melhor versão. A dependência de lances heroicos e individuais para se classificar indica que há trabalho a ser feito na consistência coletiva. Quando o time estiver regulado, será um adversário muito mais difícil de enfrentar.
O Ceará, por outro lado, pode se orgulhar da exibição. Eliminar um grande clube num jogo de Copa do Brasil esteve a 60 segundos de acontecer. A torcida cearense saiu do Castelão com o coração partido — mas com a certeza de que seu time competiu de igual para igual com um dos maiores do Brasil.
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