Estreia de Dorival com gosto amargo: Luciano marca, mas Jorge Hurtado cala o Morumbis e empata para o Millonarios
CONMEBOL Sul-Americana – Fase de Grupos | 5ª Rodada (Grupo C) | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio Morumbis, São Paulo (SP)

CONMEBOL Sul-Americana – Fase de Grupos | 5ª Rodada (Grupo C) | Terça-feira, 19 de maio de 2026 | Estádio Morumbis, São Paulo (SP)
O reencontro entre Dorival Júnior e o São Paulo começou com gosto azedo. Em sua terceira passagem pelo clube, agora chamado em meio à crise gerada pela eliminação na Copa do Brasil, o treinador viu sua equipe ficar no 1 a 1 com o Millonarios no Morumbis, em jogo válido pela 5ª rodada do Grupo C da Sul-Americana. Luciano, recém-recuperado de lesão, abriu o placar logo aos 9 minutos com finalização clínica e a torcida tricolor sonhou com a vitória que garantiria a vaga antecipada nas oitavas. Mas o Tricolor relaxou, foi se desfigurando ao longo do segundo tempo, e Jorge Hurtado — entrando do banco no lugar de Leonardo Castro — finalizou de fora da área aos 36' da etapa final (81' da partida) para silenciar o estádio e empatar o duelo.
Com o resultado, o São Paulo chegou aos nove pontos e mantém a liderança do Grupo C, mas perde a chance de carimbar a vaga antecipadamente e ainda precisará pontuar na última rodada para confirmar a classificação. O Millonarios, com sete pontos, segue vivo e em segundo lugar, agora com a possibilidade real de superar os brasileiros se vencerem o próprio jogo final e o São Paulo tropeçar.
O Jogo
O contexto da partida tinha múltiplas camadas. Pelo lado tricolor, era a estreia oficial de Dorival Júnior, anunciado na semana anterior após a demissão de Roger Machado. Pelo lado do Millonarios, a equipe colombiana via na Sul-Americana sua única chance de salvar a temporada, depois de campanha frustrante na Liga BetPlay I-2026. Dorival montou a equipe com o que tinha à disposição, já que o departamento médico vinha pesado: Alan Franco, Marcos Antônio, Rafael Tolói e Pablo Maia estavam fora. Apostou em Luciano, recém-liberado pelo DM, no ataque, e em Calleri como referência. Do outro lado, Fabián Bustos manteve o esquema 4-4-2 com Leonardo Castro e Rodrigo Contreras na frente, mas reservou Jorge Hurtado — o atacante em melhor fase da equipe, autor de dois gols na rodada anterior — no banco como peça de impacto.
O São Paulo começou pressionando alto, dominando a posse e produzindo chances claras. Logo aos 9 minutos, em jogada construída pelo meio com participação de Danielzinho e Ferreira, Luciano apareceu na meia-esquerda e finalizou de pé esquerdo de fora da área, no canto de Diego Novoa, para abrir o placar e fazer o Morumbis explodir. O Tricolor seguiu impondo ritmo, conquistou sequência de escanteios e teve nova chance com Ferreira em cabeçada defendida pelo goleiro colombiano. Próximo do intervalo, Danielzinho ainda finalizou de fora da área em assistência de Ferreira, mas a bola passou perto. O Millonarios, encurralado, pouco produziu na primeira etapa — apenas o nervosismo dos brasileiros, refletido em cartões amarelos para Calleri, Ferreira e Bobadilla, dava algum oxigênio aos visitantes.
A etapa final começou com o São Paulo administrando a vantagem mínima, em postura que se mostrou perigosa. Bustos mexeu cedo no banco — colocou Jorge Hurtado no lugar de Leonardo Castro lesionado e Stiven Vega no lugar de Mateo García — e o Millonarios passou a controlar mais o meio-campo. Aos 25 minutos do segundo tempo, Dorival respondeu sacando Luciano (que apresentava sinais de cansaço, voltando de lesão) por André Silva, e Enzo Díaz por Lucca Marques. O movimento, no entanto, não trouxe o ímpeto esperado. Aos 36 minutos (81' da partida), o castigo veio: Jorge Hurtado recebeu na entrada da área, ajeitou o corpo e finalizou de pé esquerdo de fora da área, encontrando o ângulo de Rafael e calando o Morumbis. Nos minutos finais, Artur ainda teve uma boa chance na meia-direita, finalizou de pé esquerdo no lado direito da área, mas Novoa defendeu. O resultado final, 1 a 1, deixa tudo em aberto para a última rodada.
Os Gols
| Minuto | Jogador | Time | Como foi |
| 9' | Luciano | São Paulo | Recebeu pela meia-esquerda após jogada construída e bateu de pé esquerdo de fora da área, no canto de Novoa |
| 81' | Jorge Hurtado | Millonarios | Recém-entrado, recebeu na entrada da área e finalizou de pé esquerdo de fora da área, sem chance para Rafael |
As Escalações
São Paulo: Rafael; Lucas Ramon, Dória, Sabino e Enzo Díaz; Danielzinho, Bobadilla e Ferreira; Artur, Luciano e Calleri. (Substituições: Gonzalo Tapia entrou no lugar de Calleri; André Silva no lugar de Luciano; Lucca Marques no lugar de Enzo Díaz)
Técnico: Dorival Júnior
Millonarios: Diego Novoa; Sergio Mosquera, Andrés Llinás, Jorge Arias e Sebastián Valencia; Sebastián del Castillo, Mateo García, Rodrigo Ureña e David Macalister Silva; Leonardo Castro e Rodrigo Contreras. (Substituições: Jorge Hurtado entrou no lugar de Leonardo Castro; Stiven Vega no lugar de Mateo García; Danovis Banguero no lugar de Sebastián Valencia; Álex Castro no lugar de David Silva)
Técnico: Fabián Bustos
Análise: O Que o Resultado Significa Para Cada Lado
São Paulo — Estreia de Dorival que mostra a pressa do recomeço
O ponto somado mantém o São Paulo na liderança do Grupo C, mas a sensação no Morumbis foi de oportunidade desperdiçada. O Tricolor jogou em casa, abriu o placar cedo, contra um Millonarios que vinha em má fase no campeonato colombiano e ainda assim não conseguiu administrar a vantagem. O padrão de queda de produção na etapa final, vista em outros jogos sob o comando de Roger Machado, voltou a se repetir — sinal de que a transformação que Dorival precisa promover vai muito além da escalação titular.
Dorival Júnior tem méritos por improvisar com um elenco castigado pelo departamento médico, mas alguns pontos chamam atenção. A retirada de Luciano, autor do gol, aos 25 minutos do segundo tempo enfraqueceu o ataque e coincidiu com a retomada do controle do jogo pelos colombianos. A substituição era previsível — o atacante voltava de edema na coxa —, mas a entrada de André Silva, em vez de um perfil mais móvel, não trouxe a profundidade necessária. Calleri, novamente, mostrou disposição mas pouco brilho, e Artur seguiu sendo a principal fonte de criação pelos lados. O empate revela um time tatuado pela transição: ainda sem identidade clara, dependente de momentos individuais.
A boa notícia é que a classificação segue nas mãos do São Paulo. Um empate na última rodada deve ser suficiente, mas o calendário próximo é exigente: Botafogo no sábado pelo Brasileirão, mais um clássico que testará o novo elenco de Dorival. O treinador terá pouco tempo para implantar suas ideias antes da decisão.
Millonarios — Empate fora que vale como vitória moral
Para o Millonarios, o 1 a 1 no Morumbis é um resultado de altíssimo valor. Atravessando uma temporada difícil na liga colombiana e pressionado pelos resultados, o time de Fabián Bustos conseguiu pontuar fora de casa contra um adversário historicamente forte, em uma campanha que pode resgatar a temporada do clube. O atacante Jorge Hurtado confirmou seu momento iluminado: depois dos dois gols na rodada anterior, ele decidiu agora vindo do banco, no segundo gol decisivo seguido. Em duas partidas, ele acumula três gols — números que o consolidam como a principal arma ofensiva colombiana neste momento.
Bustos também merece crédito pelas alterações. A retirada de Mateo García por Vega devolveu intensidade ao meio-campo, e a entrada de Hurtado virou o jogo emocionalmente. Tatícamente, o Millonarios soube esperar o São Paulo se desgastar e atacar nos espaços abertos pela queda de produção tricolor na etapa final. Defensivamente, Jorge Arias e Andrés Llinás seguraram bem Calleri, especialmente nos cruzamentos.
A perspectiva agora é otimista: com sete pontos, o Millonarios chega à última rodada dependendo de si para tentar a primeira colocação ou ao menos confirmar a classificação direta. Sem precisar dividir foco com a Liga BetPlay (eliminado da fase regular), o time pode entrar com força máxima no jogo final.
Ficha Técnica
| Campo | Informação |
| Competição | CONMEBOL Sul-Americana – Fase de Grupos (Grupo C) |
| Data | 19 de maio de 2026 |
| Local | Estádio Morumbis, São Paulo (SP) |
| Árbitro | Kevin Ortega (PER) |
| Assistentes | Michael Orue (PER) e Jesús Sánchez (PER) |
| VAR | Carlos Orbe (EQU) |
| Público | Não divulgado oficialmente |
| Gols | Luciano (São Paulo) 9'; Jorge Hurtado (Millonarios) 81' |
| Cartões Amarelos | Ferreira, Calleri, Bobadilla, Artur (São Paulo); Álex Castro, Sebastián Viveros, Sergio Mosquera (Millonarios) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Transmissão | SBT, ESPN e Disney+ |
Classificação do Grupo C (após 5 rodadas)
| Pos. | Time | Pts | J | V | E | D |
| 1º | São Paulo (BRA) | 9 | 5 | 2 | 3 | 0 |
| 2º | Millonarios (COL) | 7 | 5 | 1 | 4 | 0 |
| 3º | Boston River (URU) | — | 5 | — | — | — |
| 4º | Demais participantes | — | 5 | — | — | — |
Pontuação aproximada para fins editoriais. O São Paulo segue líder e mantém o controle do destino; com um empate na última rodada confirma a classificação direta às oitavas. O Millonarios depende de vencer e torcer por tropeço do Tricolor.
Considerações Finais
A noite no Morumbis foi reveladora em diferentes níveis. Para o São Paulo, mostra que a transformação prometida com a chegada de Dorival Júnior não acontece em uma semana — e que problemas estruturais (queda de rendimento no segundo tempo, dependência excessiva de momentos individuais, ataque sem mobilidade quando Luciano não está em campo) seguem cobrando seu preço. O 1 a 1 não é um desastre, longe disso: mantém a equipe na liderança e a um passo da classificação. Mas a sensação geral é de uma oportunidade perdida de carimbar a vaga antecipadamente em casa.
Para o Millonarios, o resultado tem importância simbólica e prática. Simbólica porque comprova que, mesmo em meio à crise no campeonato nacional, a equipe ainda tem capacidade de competir em alto nível na América do Sul. Prática porque mantém o sonho da primeira colocação vivo e devolve confiança a um vestiário pressionado. Jorge Hurtado emerge como o nome do momento e deve ganhar protagonismo crescente nas próximas semanas.
A última rodada da fase de grupos define o futuro continental dos dois clubes. O São Paulo pode chegar com a vantagem de jogar em casa novamente, mas em ritmo de Brasileirão (encara o Botafogo no sábado pela competição nacional). O Millonarios, sem outros compromissos pesados, pode focar 100% na decisão. O empate de hoje, paradoxalmente, beneficia mais o time visitante — mesmo que o Tricolor siga na frente, o controle psicológico da fase de grupos passou a ser dividido.
No fim, é a primeira lição de Dorival no São Paulo: liderar não é o mesmo que dominar, e ficar na frente da tabela nem sempre significa estar no caminho certo. Ele tem agora poucos dias para preparar uma equipe que já mostra os sintomas que custaram o cargo do antecessor.
Análise baseada na 5ª rodada da CONMEBOL Sul-Americana 2026.
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